Bacte
Nº Q1283007 ★
Comum · Literatura
Bacte
Bacte (em árabe: البقط; romaniz.: al-baqṭ) foi o nome empregado pelas fontes árabes para designar o conjunto de relações diplomáticas e econômicas mantidas entre o reino cristão da Macúria, na Núbia, e os sucessivos governos muçulmanos do Egito entre o século VII e o final do século XIII. O termo deriva provavelmente do latim pactum, por intermédio do grego helenístico pakton, vocábulo que designava tanto um acordo de obrigações recíprocas quanto os pagamentos associados ao seu cumprimento.
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Bacte (em árabe: البقط; romaniz.: al-baqṭ) foi o nome empregado pelas fontes árabes para designar o conjunto de relações diplomáticas e econômicas mantidas entre o reino cristão da Macúria, na Núbia, e os sucessivos governos muçulmanos do Egito entre o século VII e o final do século XIII. O termo deriva provavelmente do latim pactum, por intermédio do grego helenístico pakton, vocábulo que designava tanto um acordo de obrigações recíprocas quanto os pagamentos associados ao seu cumprimento. O Bacte surgiu após as campanhas muçulmanas contra a Núbia e a tentativa de conquista de Dongola em 652, quando o governador egípcio Abedalá ibne Sade celebrou uma trégua com os macúrios. Seu caráter bilateral e incomum dificultou seu enquadramento pela jurisprudência islâmica posterior: alguns juristas o consideraram uma modalidade de sulh, enquanto outros o interpretaram como uma hudna, ou acordo de não agressão que não obrigava os muçulmanos a defender a Núbia contra terceiros. Segundo a interpretação tradicional preservada pelas fontes islâmicas tardias, o acordo assegurava a circulação entre os dois territórios, proibia o estabelecimento permanente de seus habitantes no território da outra parte e obrigava os núbios a devolver fugitivos, manter uma mesquita em Dongola e fornecer anualmente 360 escravos, além de entregas destinadas aos funcionários responsáveis pela transação. Em contrapartida, os egípcios enviavam trigo, lentilhas, outros alimentos, tecidos e artigos de vestuário, aos quais se acrescentaram, em diferentes períodos, cavalos, vinho e outros produtos. A composição, a frequência e a magnitude das trocas variaram consideravelmente ao longo dos séculos, e seus termos foram confirmados ou reajustados por governantes como Omar II, Almadi e Almotácime. O Bacte também constituiu um dos instrumentos pelos quais a monarquia macúria administrava suas relações econômicas com o Egito e controlava parte do comércio externo, coexistindo, porém, com a expansão gradual dos mercadores privados muçulmanos, da...
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