Baia

Nº Q804061 ★★★

Rara · Saberes

Baia

A baia (em árabe: البيعة; romaniz.: bayʿa) é uma instituição islâmica pela qual uma pessoa reconhece a autoridade de outra e se compromete a obedecê-la. Derivado da mesma raiz árabe de bayʿ ("vender" ou "comprar"), o termo adquiriu particular importância política como designação tanto do ato de escolha ou reconhecimento de um governante quanto da promessa de fidelidade e obediência a uma autoridade já estabelecida.

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A baia (em árabe: البيعة; romaniz.: bayʿa) é uma instituição islâmica pela qual uma pessoa reconhece a autoridade de outra e se compromete a obedecê-la. Derivado da mesma raiz árabe de bayʿ ("vender" ou "comprar"), o termo adquiriu particular importância política como designação tanto do ato de escolha ou reconhecimento de um governante quanto da promessa de fidelidade e obediência a uma autoridade já estabelecida. A instituição teve origem nas relações entre Maomé e seus seguidores, que lhe prestaram baias em diferentes circunstâncias religiosas, políticas e militares, entre as quais os Pactos de Ácaba e o Juramento de Riduão. Após a morte de Maomé, a baia tornou-se um dos principais mecanismos de legitimação da autoridade no califado. A partir da eleição de Abu Becre, passou a compreender tanto a escolha do califa quanto o reconhecimento público de sua autoridade, sendo posteriormente concebida pela doutrina jurídica islâmica como um contrato entre governante e governados. Distinguiram-se, entre outras modalidades, a baia de eleição e a de obediência, bem como a baia privada, prestada por um grupo mais restrito, e a pública, que envolvia setores mais amplos da comunidade. O vínculo resultante implicava obrigações recíprocas e permanecia condicionado ao exercício legítimo do poder segundo a lei islâmica. Com a consolidação das dinastias omíada e abássida, a função eleitoral da baia perdeu importância diante da designação prévia de herdeiros, embora a instituição continuasse a desempenhar papel central no reconhecimento dos novos governantes e desenvolvesse cerimônias, juramentos e documentos cada vez mais formalizados. A prática persistiu, sob diferentes formas, em diversos Estados islâmicos posteriores. Paralelamente, adquiriu uma aplicação própria no sufismo, no qual passou a designar o compromisso de fidelidade e obediência estabelecido entre um discípulo e seu xeique, tornando-se, com o desenvolvimento das tariqas, um rito de vinculação espiritual.

Texto: Wikipédia, CC BY-SA 4.0. · Imagem: Mdktb (Public domain) ·

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