Espigueta

Unidade básica da inflorescência (espiga) das gramíneas

Nº Q149316 ★★★

Rara · Saberes

Espigueta

Unidade básica da inflorescência (espiga) das gramíneas

A espigueta é a unidade inflorescencial estrutural, primária e altamente especializada das plantas pertencentes à família das gramíneas (Poaceae) e das ciperáceas (Cyperaceae), desempenhando um papel crucial tanto na reprodução botânica como na morfologia agrícola de cereais fundamentais como o trigo, o arroz e a aveia. Estruturalmente, esta inflorescência elementar desenvolve-se a partir de um eixo central diminuto chamado ráquila, na base do qual se inserem duas brácteas estéreis e protetoras denominadas glumas (uma inferior e outra superior)...

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A espigueta é a unidade inflorescencial estrutural, primária e altamente especializada das plantas pertencentes à família das gramíneas (Poaceae) e das ciperáceas (Cyperaceae), desempenhando um papel crucial tanto na reprodução botânica como na morfologia agrícola de cereais fundamentais como o trigo, o arroz e a aveia. Estruturalmente, esta inflorescência elementar desenvolve-se a partir de um eixo central diminuto chamado ráquila, na base do qual se inserem duas brácteas estéreis e protetoras denominadas glumas (uma inferior e outra superior) que envolvem o conjunto. Acima destas glumas, dispostas de forma alternada e imbricada ao longo do eixo, encontram-se uma ou mais flores modificadas (antécios), cada uma das quais rigorosamente protegida por um par de brácteas férteis: a lema (externa, coriácea e frequentemente dotada de uma aresta ou pragana alongada) e a pálea (interna, bicarinada e membranosa). No interior deste invólucro protetor situam-se os órgãos reprodutores propriamente ditos — constituídos por estames e um ovário com estigmas plumosos —, além de duas pequenas estruturas escamiformes chamadas lodículas, que se tornam túrgidas para forçar a abertura das brácteas durante a antese. À medida que a planta amadurece e desidrata no período estival, a espigueta transforma-se numa estrutura rígida, hidroscopicamente ativa e pontiaguda, desenhada evolutivamente para perfurar o solo ou fixar-se ao pelo de animais em movimento, garantindo a dispersão eficaz da semente. Contudo, esta extraordinária adaptação biológica de dispersão mecânica faz com que as espiguetas secas — popularmente conhecidas em Portugal como praganas — se convertam num dos corpos estranhos mais perigosos para a medicina veterinária, uma vez que a sua forma aerodinâmica e farpada permite que penetrem retrogradamente, perfurem e avancem num único sentido através dos tecidos moles, canais auditivos, fossas nasais e zonas interdigitais de animais domésticos, provocando graves infeções e abscessos que exigem remoção clínica imediata.

Texto: Wikipédia, CC BY-SA 4.0. · Imagem: Aelwyn (CC BY-SA 3.0) ·

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