Muladi

Nº Q963251 ★★★

Rara · Saberes

Muladi

O termo muladi (do árabe مولدونor, translit. muwallad, pl. muwalladun ou muwalladeen: "concebido por mãe não árabe"), pode designar três grupos sociais presentes na Península Ibérica, na Idade Média: Cristão que abandonava o cristianismo, convertia-se ao Islão e vivia entre muçulmanos. Diferenciava-se do moçárabe, que se mantinha cristão em áreas de domínio muçulmano.

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O termo muladi (do árabe مولدونor, translit. muwallad, pl. muwalladun ou muwalladeen: "concebido por mãe não árabe"), pode designar três grupos sociais presentes na Península Ibérica, na Idade Média: Cristão que abandonava o cristianismo, convertia-se ao Islão e vivia entre muçulmanos. Diferenciava-se do moçárabe, que se mantinha cristão em áreas de domínio muçulmano. Filho de um casamento misto cristão-muçulmano e de religião muçulmana. População de origem hispano-romana e visigótica que adotou a religião, a língua e os costumes do Islão para desfrutar dos mesmos direitos que os muçulmanos no Alandalus. Dentro do terceiro grupo distingue-se a nobreza visigoda, que acabou por fundir-se com a árabe, embora em zonas distantes tenha protagonizado movimentos secessionistas, como o dos Banu Cassi. Já nas camadas mais humildes da população, uma larga margem optou pela conversão, independentemente de quaisquer considerações religiosas, apenas para se livrar dos impostos territoriais e pessoais, que recaíam sobre os cristãos, bem como para se eximir do risco de ser escravizados, se fossem tidos como insubmissos ao domínio mouro. Com efeito, a possibilidade de conversão foi usada, amiúde, como um expediente para aliciar as populações a trair ou dar de vencido os seus conterrâneos que não quisessem submeter-se ao domínio muçulmano. É digna de nota a traição de Ezerag de Condeixa, relatada no «Livro dos Testamentos» do Mosteiro de São Mamede de Lorvão, aquando da reconquista de Coimbra, às mãos de Almançor, em 987. Quando a cidade foi tomada e a população fugiu, escondendo-se nos montes e brejos das cercanias de Coimbra, Ezerag, natural da vila de Condeixa, apresentou-se ao recém empossado governador da cidade, Farfon Iben Abdella, e convertou-se ao Islão. Advertiu, então, as autoridades mouras da presença de muitos dos seus conterrâneos e doutros cristãos escondidos nos montes das cercanias, tendo-lhe sido dada a chefia dum regimento de 30...

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