Quilombo
Tipo de comunidade autônoma criada por pessoas negras escravizadas no Brasil
Nº Q1415423 ★★★
Rara · Saberes
Quilombo
Tipo de comunidade autônoma criada por pessoas negras escravizadas no Brasil
Os quilombos foram formas de organização social constituídas no Brasil a partir do século XVI por africanos escravizados e seus descendentes, em contextos de resistência ao sistema escravista colonial. Esses agrupamentos apresentaram grande diversidade quanto às suas origens, dimensões, formas de organização social e relações com a sociedade envolvente, podendo resultar tanto da fuga coletiva quanto da aquisição de terras, de heranças, da ocupação de áreas abandonadas ou da permanência em antigas propriedades rurais em processo de decadência.
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Os quilombos foram formas de organização social constituídas no Brasil a partir do século XVI por africanos escravizados e seus descendentes, em contextos de resistência ao sistema escravista colonial. Esses agrupamentos apresentaram grande diversidade quanto às suas origens, dimensões, formas de organização social e relações com a sociedade envolvente, podendo resultar tanto da fuga coletiva quanto da aquisição de terras, de heranças, da ocupação de áreas abandonadas ou da permanência em antigas propriedades rurais em processo de decadência. Durante o período colonial e imperial, os quilombos integraram de maneira complexa o espaço social e econômico da América portuguesa, mantendo relações comerciais, redes de informação e, em muitos casos, conflitos armados com autoridades coloniais, milícias locais e capitães do mato. A historiografia contemporânea tem demonstrado que essas comunidades não podem ser compreendidas apenas como agrupamentos isolados de escravizados fugitivos, mas como experiências sociais dinâmicas, marcadas por múltiplas formas de inserção territorial, por hierarquias internas e por estratégias variadas de sobrevivência e negociação. A partir do século XX, especialmente no contexto da redemocratização brasileira, o conceito de quilombo passou por um processo de ressemantização no campo da antropologia e do direito, deixando de se referir exclusivamente a uma experiência histórica do passado para designar grupos étnicos contemporâneos com identidade própria e vínculos territoriais específicos. Essa redefinição fundamentou o reconhecimento constitucional das comunidades remanescentes de quilombos como sujeitos de direitos territoriais e culturais, consagrado pela Constituição brasileira de 1988, consolidando sua condição como povos e comunidades tradicionais no Brasil contemporâneo.
Texto: Wikipédia, CC BY-SA 4.0. · Imagem: Ministério do Desenvolvimento Social (CC BY-SA 2.0) ·